Soberania e liberdade agredidas: o que dizem presidentes latinos sobre os ataques
(Foto: Reprodução) — Foto: Luis Jakmes/AFP


Presidente das América Latina repudiam ataque dos EUA à Venezuela. Na contramão, o presidente argentino, Javier Milei, diz que a ofensiva representa um avanço da liberdade.

O presidente Lula (PT) repudiou os ataques. Sem citar os EUA, ele disse que os bombardeios e a prisão de Maduro e de sua esposa "ultrapassam uma linha inaceitável". Ataque é "afronta gravíssima" à soberania da Venezuela, afirma Lula. Segundo o brasileiro, ação é "mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional"

Os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, e de Cuba, Miguel Díaz-Canel, também condenaram os ataques. Petro pediu uma reunião imediata da OEA (Organização dos Estados Americanos) e da ONU (Organização das Nações Unidas) para avaliar a legalidade internacional da ação.

Colômbia anunciou o envio de "forças públicas" para a fronteira para atendimentos, "caso haja um grande fluxo de refugiados". Além disso, informou que a Embaixada da Colômbia na Venezuela "está respondendo ativamente aos pedidos de ajuda de colombianos na Venezuela".

Como membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, buscamos convocar o conselho. O governo colombiano repudia a agressão contra a soberania da Venezuela e da América Latina. Conflitos internos entre povos são resolvidos pacificamente pelos próprios povos. Este é o princípio da autodeterminação, que é o fundamento do sistema das Nações Unidas. Exorto o povo venezuelano a buscar os caminhos do diálogo civil e da unidade. Sem soberania, não há nação. A paz é o caminho a seguir, e o diálogo entre os povos é fundamental para a unidade nacional. Diálogo e mais diálogo é a nossa proposta.
Gustavo Petro

Presidente do Chile, Gabriel Boric condenou a ação de Trump e disse que país encarou o ataque com preocupação. Em publicação nas redes sociais, ele disse que o Chile apoia a "solução pacífica das controvérsias internacionais e a integridade territorial dos estados". Diferentemente da Colômbia, o Chile não faz divisa com a Venezuela.

Miguel Díaz-Canel também repudiou o ataque. O presidente de Cuba cobrou uma "reação urgente" da comunidade internacional contra o "ataque criminoso" dos EUA contra a Venezuela. "Nossa zona de paz está sendo brutalmente atacada. Terrorismo de Estado contra o bravo povo venezuelano e contra a nossa América", escreveu ele.

O chanceler de Cuba, Bruno Rodriguez, chamou os ataques de "sem justificativa". Ele também disse que os EUA agiram "de forma covarde" e que a Venezuela "nunca agrediu os Estados Unidos nem qualquer outro país".

México criticou ataque. Em nota, a Secretaria de Relações Exteriores do país afirmou que a ação viola a Carta da Organização das Nações Unidas e pediu respeito ao direito internacional. Diálogo e negociação foram defendidos como "as únicas vias legítimas e eficazes para resolver as diferenças"

Diversos países latino-americanos criticaram as operações norte-americanas, classificando-as como "execuções extrajudiciais". Até agora, não há confirmação oficial sobre vítimas ou danos, mas a tensão cresce com o risco de escalada militar no continente. Analistas alertam para impactos diretos na economia regional, especialmente no preço do petróleo, e para possíveis reflexos diplomáticos no Brasil, que mantém relações comerciais com a Venezuela e depende da estabilidade na fronteira norte.

"A liberdade avança", afirma o presidente da Argentina, Javier Milei. Aliado de Trump, Milei compartilhou a postagem do presidente dos Estados Unidos e comemorou a ofensiva norte-americana contra a Venezuela.


Trump diz que capturou Maduro
Presidente dos EUA diz que Nicolas Maduro e sua esposa foram capturados da Venezuela. Conforme divulgado pelo presidente dos EUA pela rede Truth Social, eles foram levados a Nova York pelo Iwo Jima, um dos navios da Marinha norte-americana.

Os Estados Unidos da América realizaram com sucesso um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e levado para fora do país juntamente com sua esposa. Esta operação foi realizada em conjunto com as forças policiais dos EUA. Mais detalhes em breve.
Trump, via Truth Social

Trump divulgou primeira imagem de Maduro preso dentro do navio no início da tarde de hoje. Na foto, publicada na rede Truth Social, o venezuelano aparece em pé, com os olhos cobertos por óculos escuros e os ouvidos por tampões. Até aqui, não foram divulgadas imagens da primeira-dama venezuelana.


O governo venezuelano classificou os ataques como uma "grave agressão militar". Em comunicado oficial, eles dizem que as explosões atingiram áreas civis e militares em Caracas e nos Estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

Essa agressão ameaça a paz e a estabilidade internacionais e coloca em risco a vida de milhões de pessoas.
Governo da Venezuela

Maduro declarou que o objetivo dos Estados Unidos seria "tomar os recursos estratégicos do país": "especialmente petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da nação"

Explosões em Caracas
Detonações e sobrevoo de aviões foram ouvidos na cidade. Fortes explosões e ruídos semelhantes aos de aviões foram ouvidos nas primeiras horas deste sábado em Caracas, segundo relatos de jornalistas na capital venezuelana.

Imagens não verificadas compartilhadas nas redes sociais mostram grandes incêndios. Também sçao vistas colunas de fumaça, embora não seja possível determinar a localização exata das explosões, que parecem ter ocorrido no sul e leste da capital.

As primeiras explosões foram ouvidas em torno das 2h. A segunda foi por volta das 02h38, enquanto aeronaves continuavam sobrevoando a cidade.

Maduro fez aceno aos EUA
Em entrevista veiculada no dia de Ano-Novo, Maduro disse ter conversado com Donald Trump. Ele fez um aceno ao presidente dos EUA propondo "conversas sérias" sobre o combate ao tráfico de drogas e oferecendo às empresas norte-americanas acesso imediato ao petróleo venezuelano.

Na transmissão, Maduro e seu entrevistador caminham por uma zona militarizada da capital Caracas. Mais tarde, Maduro assume o volante de um carro com o jornalista no banco do passageiro e a esposa do presidente, Cilia Flores, no banco de trás — um gesto que os analistas interpretaram como uma tentativa de projetar confiança.

Para o povo dos Estados Unidos, digo o que sempre disse: a Venezuela é um país irmão... um governo amigo.
Nicolás Maduro

Os comentários representaram uma tentativa de mudança no tom de Maduro em relação aos Estados Unidos. Trump acusa o "ilegítimo" Maduro de administrar um narcoestado e ameaçou tirá-lo do poder. Maduro nega veementemente as ligações com o crime e disse que os EUA estão tentando destituí-lo para assumir o controle das vastas reservas de petróleo e dos depósitos de minerais de terras raras da Venezuela.