Consciência pronta a ouvir o ronco do trovão,
Viu o Diabo no vento, todo atarefado
Entrar em campanários, passar sob o vão
Da porta de freiras e doutos em pecado.


O desastre, de que modo evitá-lo, como
Aparar o espinheiro dos enganos do homem?
Carne, um cão silente a morder o seu dono;
Mundo, um lago mudo que os filhos seus consome.


O estopim do Juízo queimava em sua mente:
“Fumiga esta colméia de abelhas, Senhor:
Tudo – obras, Sociedades, Grandes Homens – mente.
O Justo viverá pela fé...” gritou, temente.


E quem, homem e mulher do mundo, o temor
Ou zelo nunca atormentou, ficou contente.
Por: W. H. Auden
Tradução: José Paulo Paes
Permissões: Você está autorizado e incentivado a reproduzir, distribuir ou divulgar este material em qualquer formato, desde que informe o autor, seu ministério, e o tradutor, não altere o conteúdo original e não o utilize para fins comerciais.


W. H. Auden

W. H. Auden

Wystan Hugh Auden (1907–1973) foi um poeta, ensaísta e crítico literário anglo-americano, considerado um dos mais influentes escritores de língua inglesa do século XX. Nascido na Inglaterra e posteriormente naturalizado norte-americano, sua obra aborda temas como amor, política, moralidade, cultura e fé cristã. Após um período de afastamento da religião, retornou ao cristianismo e passou a refletir em seus escritos sobre questões teológicas e existenciais. Sua produção literária exerceu ampla influência na poesia moderna e continua sendo objeto de estudo e apreciação em todo o mundo.